Sessão especial faz chamado para a luta antimanicomial
Aladilce Souza presidiu atividade que criticou portarias do governo federal favoráveis aos manicômios
Foto: Reginaldo Ipê
17/05/2019 - 13:10
A sessão especial em homenagem ao Dia da Luta Antimanicomial, celebrado em 18 de maio, foi um chamado a todos que apoiam a causa para que se engajem ainda mais. Presidida pela vereadora Aladilce Souza (PCdoB) e realizada no Plenário Cosme de Farias, na manhã desta sexta-feira (17), a atividade reuniu representantes do Coletivo Baiano da Luta Antimanicomial, da Secretaria Municipal da Saúde, Defensoria Pública, profissionais da área e pacientes.
A vereadora fez uma alerta sobre as portarias publicadas pelo governo federal que fortalecem o movimento manicomial em detrimento à rede de assistência psicossocial. “É preciso consolidar a ideia de que é possível fazer o acompanhamento desses pacientes por meio de uma rede de assistência psicossocial, não precisamos de hospital especial. Estamos vivendo no Brasil um grande retrocesso nesse sentido. As portarias federais reforçam os manicômios e, para que não haja perdas, precisamos fortalecer o movimento antimanicomial”, pontuou Aladilce.
A assessora técnica do Centro de Apoio dos Direitos Humanos do Ministério Público do Estado da Bahia, Carla França, disse que o que existia era uma legislação que indicava a construção de uma rede substitutiva e que hoje já há um movimento contrário. “Avançamos muito desde 2001, mas esse ano já começamos a enfrentar alguns retrocessos. A luta manicomial é de todos, pois os hospitais psiquiátricos já foram, no passado, lugar de homossexuais, feministas e de todos aqueles que incomodam. Agora volta-se com o discurso de que essas pessoas precisam de um hospital específico e, certamente, dos métodos que sustentam as internações”, avaliou Carla.
“Estamos vivendo tempos sombrios na saúde e educação. A nota técnica emitida pelo governo federal em fevereiro fortalece os hospitais psiquiátricos e eletrochoques. A luta antimanicomial se faz necessária, pois o movimento manicomial é muito forte e ganhou fôlego com essas medidas federais”, avaliou o membro do Coletivo Baiano da Luta Antimanicomial, Eduardo Calliga.
Calliga, que é também fundador da Associação Metamorfose Ambulante de Usuários e Familiares do Serviço de Saúde Mental (Amea) e membro do Conselho Estadual de Saúde, já passou por 20 internações em hospitais psiquiátricos e defende o fortalecimento da rede de assistência. “Eu era um número e um CID. Hoje eu sou cidadão e isso eu conquistei no Caps”, contou, informando que Amea realiza neste sábado (18), a XII Parada do Orgulho Louco, com concentração no Cristo da Barra, às 9h.
Rede
O coordenador de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde, Allann Carneiro, disse que em Salvador a gestão mantém os investimentos nos 19 Centros de Atenção Psicossocial (Caps) mantidos pela prefeitura. “Cada município tem autonomia para gerir sua rede de assistência”, afirmou Allann Carneiro. O coordenador disse ainda que uma conquista dos centros foi conseguir montar o quadro com todos os funcionários concursados.
“A Prefeitura tem investido na atenção à saúde mental e o que temos de mais rico é uma rede que respeita o cuidado individualizado e a assistência multidisciplinar, capaz de atender até aos casos mais complexos”, afirmou Allann.
Membro do Núcleo de Saúde Mental da Defensoria Pública do estado, a psicóloga da Secretaria Estadual da Saúde (Sesab), Patrícia Maia Von Flach, disse que a intenção do colegiado é fortalecer a política antimanicomial e garantir direitos. “O entendimento da Defensoria Pública e da Sesab é de que para cuidar não se pode tirar a autonomia”, ressaltou a psicóloga.
Além dos já citados, a mesa da sessão especial contou com a presença do psicólogo João Mendes. Também participaram da atividade representantes dos Caps Aristides Novis, Jardim Bahiano, Pau da Lima, São Caetano, Edilson Sampaio, Rosa Garcia, Águas Claras, Osvaldo Camargo, Pernambués, membros do Papo de Mulher, dentre outros.
Fonte da notícia: Ascom