Novembro Azul dos Rodoviários

Sessão dirigida pelo vereador Helio Ferreira debateu o risco de câncer de próstata na categoria

Novembro Azul dos Rodoviários

Foto: Valdemiro Lopes

07/11/2019 - 19:20

Categoria majoritariamente masculina (praticamente 99%), a dos rodoviários está atenta aos riscos do câncer de próstata, segunda maior causa de morte entre homens no Brasil. Para debater o assunto e chamar atenção para a necessidade de prevenção, o vereador Helio Ferreira (PCdoB), presidente do Sindicato dos Rodoviários e da Comissão de Transporte da Câmara Municipal de Salvador, promoveu, na noite desta quinta-feira (7), sessão especial no Plenário Cosme de Farias sobre o Novembro Azul, reunindo dezenas de motoristas, cobradores e despachantes.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), pelo menos 68.220 novos casos são diagnosticados a cada ano no Brasil, crescendo a cada ano. Diante deste quadro, Helio Ferreira alertou para o perigo da acomodação em função da rotina estressante da categoria dos rodoviários, que muitas vezes relegam a segundo plano a orientação sobre o exame anual a partir dos 45 anos. 

Sorte e machismo

O comodismo quase transformou o vereador em estatística. Usando o próprio exemplo, Helio Ferreira contou, emocionado, que por não fazer o exame com regularidade foi diagnosticado com uma hiperplasia prostática, “que por sorte foi benigna”. A ideia da sessão, segundo ele, foi incentivar os rodoviários a se prevenirem, deixando de lado a cultura de “deixar para depois” e o preconceito em relação ao exame de toque retal. 
"Acreditem, a prevenção é muito menos dolorosa do que a biópsia ou o tratamento do câncer de próstata", garantiu o vereador, fazendo um apelo aos rodoviários para que "não deixem para amanhã" a procura pelos serviços de saúde. Em Salvador a categoria reúne cerca de 13 mil homens.
A médica Ticiane Castelo Branco, responsável técnica de Oncologia da Secretaria Estadual de Saúde, chamou atenção para a importância do exame para o diagnóstico precoce, pois na fase inicial da doença os sintomas nem sempre se manifestam, confundindo com outros males que também afetam a população masculina. 
Entre os fatores de risco do câncer de próstata ela citou a idade, a hereditariedade e a raça, observando que os negros, maioria da população baiana, têm mais propensão à doença, inclusive em pessoas mais jovens. Além disso, apontou a obesidade, alimentação inadequada e exposições ambientais.
A enfermeira especializada em oncologia Bárbara Regina Trindade da Silva Lima, do Hospital Português e diretora da Onco Home Care, observou que os rodoviários têm uma rotina que aumenta a predisposição às doenças de próstata. Exemplificando, citou o fato de passarem muitas horas sentados e nem sempre terem acesso a sanitários, à higiene e ao consumo de água.
O pastor Lucas Vidal, da Igreja Batista Fonte de Restauração e Vida, apontou o machismo como justificativa para tanto preconceito em relação ao exame de próstata. 
Compuseram a mesa da sessão, ainda, os diretores do Sindicato dos Rodoviários Daniel Mota (Comunicação), Antônio Cândido (Raça e Gênero), André Moreira (Patrimônio), Edson Gomes (Financeiro) e Jorge Alvarez Freitas (Saúde). O vereador Helio Ferreira propôs um minuto de silêncio em memória do rodoviário Luiz Alberto Cordeiro, que morreu este ano em decorrência de câncer de próstata.
 


Fonte da notícia: Diretoria de Comunicação


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