Aladilce Souza critica aumento da tarifa de ônibus em Salvador

Vereadora não concorda com o reajuste anunciado pelo prefeito ACM Neto

Aladilce Souza critica aumento da tarifa de ônibus em Salvador

Foto: Valdemiro Lopes

11/03/2020 - 16:11

Segundo a vereadora Aladilce Souza (PCdoB), o aumento da tarifa de ônibus para R$4,20, anunciado pelo prefeito ACM Neto, tornará Salvador líder no ranking das tarifas mais altas entre as noves capitais do Nordeste e uma das mais caras do Brasil. Ela diz ainda que entre as capitais nordestinas, a cidade ocupa o quinto lugar no índice de rendimento médio por residência, atrás de Recife, João Pessoa, Aracaju e Natal, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 
A parlamentar se posicionou contrária à medida. “Salvador é uma cidade pobre, com uma taxa de informalidade em torno de 30% e um índice de desocupação de 16%, o que a coloca como a terceira cidade com maior número de desempregados do país, perdendo apenas para Manaus e Macapá. E, em meio a esse cenário tão difícil para a população, o prefeito quer aumentar a passagem para R$4,20?”, questionou.

Isenção

Aladilce Souza destacou ainda que, com o reajuste, o cidadão vai pagar R$ 8,40 por dia para ir a seu destino e depois voltar para casa. Para o trabalhador, que precisa se deslocar 22 dias ao seu emprego, o custo mensal será de R$184,80. Pela tarifa de R$4,00, o valor gasto é de R$176,00.  
A vereadora ressalta ainda que, em agosto do ano passado, quando a Prefeitura pretendia subir a tarifa, estudos realizados por instituição contratada pelo Executivo indicaram o valor de R$4,12 como o adequado para a renda dos moradores. 
“O prefeito vai fazer a população pagar por uma passagem pela qual, comprovadamente, não tem condição de custear? E vai subir para R$4,20 sem apresentar dados que justifiquem o aumento?”, argumentou.
Em agosto do ano passado, a Prefeitura concedeu isenção de impostos em torno de R$300 milhões aos empresários do transporte público para que, justamente, não houvesse alteração da tarifa. “A Prefeitura favoreceu o setor com uma renúncia de grande impacto aos cofres públicos sem dar qualquer contrapartida social, como por exemplo o passe livre para estudantes e a tarifa social para os desempregados”, criticou.
Diante da inexistência de auxílio à população no acordo, feito no ano passado pela Prefeitura e empresários, Aladilce considerou desrespeitosa a justificativa da Secretaria Municipal de Mobilidade para majorar a tarifa. “O órgão responsabiliza a gratuidade pelos 'prejuízos' alegados pelos empresários aos seus lucros”, avaliou.
Ela reclamou ainda das péssimas condições estruturais da frota de transporte de Salvador. “Todos os usuários do sistema se queixam da sujeira e da falta de manutenção dos ônibus. E por falar nos ônibus, cadê os 51 veículos com ar-condicionado, do total dos 250 anunciados pelo prefeito em 2019? Estão circulando apenas 199 veículos com ar pela cidade”, ressaltou.
 


Fonte da notícia: Diretoria de Comunicação

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