Audiência reforça a urgência de políticas para a saúde da população negra

Vereador Silvio Humberto conduziu o debate, através da Comissão de Reparação

Audiência reforça a urgência de políticas para a saúde da população negra

Foto: Reginaldo Ipê

21/08/2025 - 09:26

De grande representatividade, a audiência pública presidida pelo vereador Sílvio Humberto (PSB) através da Comissão de Reparação, reuniu especialistas, órgãos e representantes da sociedade civil para discutir a saúde da população negra em Salvador nos últimos 20 anos. Na manhã de quinta-feira (20), o encontro, que contou com a presença da presidente do colegiado, a vereadora Marta Rodrigues (PT), destacou os principais desafios e a necessidade urgente de políticas públicas eficazes.

Maria Inês Barbosa, doutora em saúde pública, fez um apanhado histórico da luta do movimento negro, sublinhando o impacto do racismo na vida das pessoas negras e a importância de políticas sociais robustas. Ela ressaltou que “não é possível implementar uma saúde sem racismo sem que pessoas negras estejam numa instância de poder com a capacidade de transversalizar” e defendeu a necessidade de a Câmara aprofundar o diálogo sobre o tema.

O sanitarista e antropólogo Altair Lira apontou que, embora a política municipal de saúde para a população negra tenha sido efetivada com o Estatuto da Igualdade Racial em 2010, ainda é tratada como algo “novo”. Ele lembrou que o movimento negro já em 1996 indicava que a saúde da população negra estava diretamente relacionada a condições socioeconômicas e à pressão social, resultando em indicadores preocupantes de desnutrição infantil, aborto, alcoolismo, DSTs, entre outros.

Doença falciforme

A diretora-geral da Associação Baiana das Pessoas com Doença Falciforme (Abadfal), Naianne Dias, trouxe à tona a complexidade da vida dessas pessoas que não podem ser vistas apenas como um diagnóstico. A paciente Cândida, com a doença falciforme, questionou a falta de dados sobre indivíduos com a doença na fase da velhice, levantando um questionamento e abrindo uma lacuna sobre a longevidade de pessoas com a doença. “Os profissionais de saúde já não estão preparados para nos atender na fase adulta. Então, é preciso pensar caminhos para que os indivíduos, enquanto uma pessoa negra com doença falciforme, cheguem à velhice”, afirmou.

Ao final, o vereador Sílvio Humberto concluiu a discussão, destacando a necessidade de o poder público municipal investir em formação de pessoas e em financiamento, por meio do Plano Plurianual (PPA), além de promover constantemente “escuta qualificada” das demandas dessa comunidade. A audiência sublinhou a urgência de uma abordagem sistêmica e antirracista na saúde para garantir que a população negra tenha acesso a um cuidado integral e de qualidade.

Participaram da mesa e da atividade representantes da Secretaria Municipal de Reparação (Semur), Conselho Municipal das Comunidades Negras (CMCN), Superintendência Estadual do Ministério da Saúde na Bahia, Secretaria de Saúde de Salvador (SMS), Conselho Municipal de Saúde, Conselho Estadual de Assessoramento à Pessoa com Doença Falciforme, dentre outros.

 


Fonte da notícia: Assessoria do vereador

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