Sílvio Humberto sai em defesa dos antigos barraqueiros da praia de Jaguaribe e critica concessão da orla à iniciativa privada

O vereador afirma que o modelo que não prevê nenhuma ação afirmativa para os empreendedores

Sílvio Humberto sai em defesa dos antigos barraqueiros da praia de Jaguaribe e critica concessão da orla à iniciativa privada

Foto: Divulgação

17/07/2025 - 14:59

O vereador Sílvio Humberto (PSB) teceu críticas à concessão da orla da Praia de Jaguaribe à iniciativa privada, que integra um programa municipal amplo de privatização de serviços públicos, incluindo a administração de cemitérios e serviços funerários. O parlamentar questiona os verdadeiros beneficiários dessa política e alerta para as graves consequências sociais em uma cidade com altos índices de pobreza como Salvador.

"Chama atenção o fato de que este programa abrange até mesmo os serviços funerários e a administração dos cemitérios. O que restará para a gestão pública se até mesmo os locais de descanso de nossos entes queridos forem privatizados?", questionou o vereador.

Ele ressaltou que a precarização de serviços públicos muitas vezes pavimenta o caminho para que a iniciativa privada se apresente como a única solução, mas questionou o custo a longo prazo de privatizar a administração de cemitérios e serviços funerários.

Outro ponto de grande apreensão para o vereador é a retirada das barracas da orla. O edil lamentou a forma que as barracas foram retiradas, desestruturando a vida de inúmeras famílias que perderam a sua renda.

"Agora, com este modelo de privatização e concessões, não há absolutamente nenhuma previsão, nenhuma cota, para que esses antigos proprietários possam ocupar os novos espaços", afirmou. 

O vereador criticou o modelo por não priorizar as populações mais vulneráveis e manifestou preocupação de que essa lógica se repita na segunda etapa do programa, que abrange as praças de convivência, o BRT e o projeto Mané Dendê.
Segundo o parlamentar, o novo modelo de privatização não representa uma mudança efetiva na realidade da cidade. Ele argumenta que, ao ignorar um dos problemas estruturais mais graves de Salvador — a pobreza —, a iniciativa corre o risco de perpetuar o ciclo de exclusão e desigualdade que marca a capital.

"O discurso de que haverá uma melhora na qualidade do serviço é válido, mas para quem? Ele parece criar as condições para que outros venham e explorem, enquanto a nossa população, aqueles que construíram uma cultura em torno das barracas, os antigos proprietários de Piatã e Jaguaribe, não terão acesso a essa nova etapa, não serão proprietários. Sem um diálogo mais estruturante, não resolveremos a raiz da pobreza", ponderou.

 


Capital Afro

No mesmo contexto, Silvio Humberto trouxe à tona ainda, o discurso de Salvador como a "Capital Afro". Ele enfatizou a oportunidade perdida de transformar essa retórica em ações concretas para valorizar os empreendedores negros locais.
 "Temos a oportunidade de transformar esse discurso em ações concretas para valorizar nossos empreendedores negros, mas o que vemos é um modelo que não prevê nenhuma ação afirmativa", declarou. 

O vereador lembrou a existência do Estatuto Municipal de Igualdade Racial, com 60 artigos que poderiam guiar um diálogo estruturante, mas que não foram conectados às novas concessões para garantir a presença de empreendedores negros. "Quem serão os verdadeiros donos desses espaços na orla?", questionou.

Sílvio Humberto afirma que Salvador perdeu, mais uma vez, a chance de transformar o discurso do capital afro em uma ação concreta de geração de trabalho e renda.

 "Poderíamos investir nesses empreendedores, criar um caso de sucesso que servisse de modelo. Com uma concessão e um conselho gestor, seria plenamente possível implementar ações afirmativas que garantissem emprego e renda digna. Não podemos nos limitar a enxergar os empreendedores negros apenas como objeto de microcrédito", finalizou.
Ele reforçou que faltam oportunidades de criar na cidade condições para que esses empreendedores tenham uma relação de emprego e renda digna. "Não podemos deixar que a privatização seja sinônimo de exclusão".


Fonte da notícia: Assessoria do vereador

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