Cemitério dos Africanos é um dos temas da Tribuna Popular na Câmara de Salvador

Fórum Social Mundial também é debatido durante a sessão ordinária desta segunda-feira (15)

Cemitério dos Africanos é um dos temas da Tribuna Popular na Câmara de Salvador

Foto: Antonio Queirós

15/06/2026 - 16:42

O Cemitério dos Africanos do Campo da Pólvora e a próxima edição do Fórum Social Mundial foram os temas da Tribuna Popular da sessão ordinária realizada nesta segunda-feira (15), no Plenário Cosme de Farias, na Câmara Municipal de Salvador. 

Numa articulação da vereadora Eliete Paraguassu (PSOL), as pesquisadoras Silvana Olivieri e Jeane Dias apresentaram os resultados das pesquisas sobre o Cemitério dos Africanos e exibiram um VT sobre o espaço. 

Representando a Organização da Sociedade Civil Programa Direito e Relações Raciais da Faculdade de Direito da Universidasde Federal da Bahia (Ufba) e da Articulação Institucional e Jurídica (Aganju), a arquiteta e urbanista Silvana Olivieri explicou que o cemitério foi descoberto durante uma pesquisa de doutorado desenvolvida por ela.

Também conhecido como Cemitério do Campo da Pólvora, o espaço é considerado o primeiro cemitério público de Salvador, funcionando por cerca de 150 anos até sua desativação em 1844. Estima-se que abrigue os restos mortais de até 100.000 pessoas escravizadas e marginalizadas. Ainda de acordo com Silvana, no cemitério eram enterrados africanos considerados pagãos, ou seja, não convertidos ao cristianismo, além de importantes líderes e participantes de revoltas históricas, como a Revolta dos Búzios e a Revolta dos Malês.

A arqueóloga e antropóloga Jeane Dias também utilizou a tribuna e explicou que coordenou as escavações históricas, no estacionamento do Complexo da Pupileira, que confirmaram a existência do Cemitério dos Africanos. Ela afirmou que “os resquícios da escravidão ainda continuam no presente”.

A vereadora Eliete Paraguassu reafirmou o compromisso com a discussão sobre o Cemitério dos Africanos dentro de uma agenda mais ampla de reconhecimento e justiça e falou sobre as próximas etapas da mobilização, incluindo a realização de uma audiência pública específica para aprofundar o debate sobre memória, preservação do sítio histórico e reparação à população negra.

Além de Eliete, outros vereadores comentaram o tema. “Trata-se do maior cemitério de africanos escravizados da América Latina”, disse a vereadora Marta Rodrigues (PT). A vereadora Aladilce Souza (PCdoB) afirmou que há uma grande dimensão histórica na revelação do Cemitério dos Africanos. “Podem contar com o apoio da bancada do PCdoB nesta Casa pela desapropriação do local para viabilizar a visitação a este sítio arqueológico”, frisou. O local foi reconhecido como sítio histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (lphan).

Fórum Social Mundial 

E, tendo como tema a próxima edição do Fórum Social Mundial, Gilberto Leal também utilizou a Tribuna Popular. O ato, que reúne representantes do movimento social de diversos locais do planeta, será realizado na cidade de Cotonou, no Benim, no continente africano, entre os dias 4 e 8 de agosto de 2026.

“A primeira edição do Fórum Social Mundial ocorreu no Rio Grande do Sul, em 2001, e agora completa 25 anos”, afirmou. Ele também pontuou que a mobilização foi criada em contraposição ao Fórum Econômico Mundial, que reúne as maiores economias do mundo.

“É uma contraposição em nome das necessidades dos povos do mundo inteiro. E o Coletivo do Fórum Social Baiano vai participar do Fórum Social Mundial, em Benin”, frisou Gilberto Leal.


Fonte da notícia: Diretoria de Comunicação

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