Sílvio Humberto critica revogação de interdição da “Passarela do Apartheid”

O vereador classificou a estrutura como um símbolo de exclusão e privilégio na capital baiana

Sílvio Humberto critica revogação de interdição da “Passarela do Apartheid”

Foto: Antônio Queirós

11/02/2026 - 16:58

O vereador Sílvio Humberto (PSB) utilizou suas redes sociais para lamentar a recente decisão judicial que revogou a interdição da passarela que dá acesso a um camarote na Barra, em Salvador. O equipamento, nomeado por movimentos sociais de “Passarela do Apartheid", tem sido alvo de intensas críticas por "simbolizar a segregação urbana na cidade".

 

A decisão foi proferida pelo mesmo juiz que anteriormente havia concedido a liminar para a interdição. Embora a nova decisão acolha parte do pleito do Conselho de Arquitetura e Urbanismo da Bahia (CAU), ela permite que a estrutura continue funcionando em caráter excepcional, dando à empresa responsável o prazo de um ano para reparar os danos ao meio ambiente.

 

"O dano provocado vai ser aceito e a empresa tem um ano para reparar o meio ambiente", resumiu o parlamentar, criticando o que chamou de ‘juridiquês’ que, na prática, "mantém o privilégio de poucos em detrimento do uso coletivo do espaço público". 

 

Para Silvio Humberto, a existência da passarela é uma afronta à identidade de Salvador. Ele destacou a contradição de se criar zonas de exclusão em uma cidade que se orgulha de ser a capital negra do Brasil e um símbolo de mistura cultural. 

 

"Numa cidade que se considera da mistura, se cria uma zona de privilégio, onde as pessoas não podem se misturar", afirmou. O vereador reforçou que a visão de quem se sente excluído, o "grosso da população", não foi devidamente observada no processo.

 

Ao encerrar seu posicionamento, Sílvio Humberto utilizou um termo crítico para descrever a gestão da cidade, chamando-a de "Salvador da Afroconveniência". Segundo ele, a manutenção da passarela reafirma um caráter de segregação que persiste apesar do discurso oficial de valorização da cultura negra.

 

O parlamentar garantiu que continuará acompanhando o caso, defendendo que o urbanismo da cidade deva servir para integrar as pessoas, e não para reforçar barreiras sociais e raciais.


Fonte da notícia: Assessoria do vereador

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