Câmara fará homenagem póstuma a Nengua Guanguacesse nesta quarta-feira (5)
Marta Rodrigues (PT) vai conduzir sessão que reverencia a matriarca do Terreiro Bate Folha
Foto: Divulgação
04/11/2025 - 12:02
A Câmara Municipal de Salvador realiza, nesta quarta-feira (5), uma sessão especial para prestar homenagem póstuma a Nengua Guanguacesse - Dona Olga Conceição Cruz, matriarca maior do Terreiro Bate Folha, que completaria 100 anos em 17 de março de 2025. A solenidade, proposta pela vereadora Marta Rodrigues (PT), acontece às 18h30, no Plenário Cosme de Farias, com transmissão ao vivo pela TV Câmara Salvador (canal 12.3), pelo portal (www.cms.ba.gov.br), pelas páginas oficiais no Facebook e no Youtube.
Como explica a vereadora, a sessão celebra o legado espiritual, cultural e humano de uma das mais importantes líderes religiosas da tradição Bantu e Congo-Angola no país. Durante mais de sete décadas, Nengua Guanguacesse dedicou sua vida ao cuidado da comunidade, à preservação dos saberes ancestrais e à defesa do Terreiro Bate Folha como espaço de fé, natureza e resistência negra.
“Essa homenagem é um gesto de reconhecimento a uma mulher que foi guardiã da tradição, símbolo de sabedoria, acolhimento e força espiritual. Falar de Nengua é falar da própria história do povo de santo e da luta do nosso povo por dignidade e respeito”, destacou Marta Rodrigues.
Bate Folha - Fundado em 1916 por Manoel Bernardino da Paixão, o Terreiro Bate Folha Mansu Banduquenqué, localizado na Mata Escura, é um dos mais antigos do Brasil e o primeiro terreiro da nação Congo-Angola a ser tombado pelo Iphan, em 2003. Reconhecido como patrimônio cultural brasileiro, o Bate Folha preserva cerca de 15,5 hectares de Mata Atlântica em área urbana, sendo referência em preservação ambiental, educação tradicional e religiosidade afro-brasileira.
Filha do terreiro desde a juventude, Nengua Guanguacesse foi iniciada aos 24 anos, em 1949, e desde então se tornou mãe espiritual de gerações de filhos e filhas de santo. Respeitada dentro e fora da comunidade religiosa, foi exemplo de liderança feminina, serenidade e sabedoria ancestral, reconhecida por sua capacidade de apaziguar e orientar com humildade e firmeza.
A homenagem reafirma o papel fundamental do candomblé na formação da identidade soteropolitana e reconhece o Terreiro Bate Folha como símbolo da resistência cultural, da memória viva e do pertencimento afrodescendente em Salvador. “Celebrar o centenário de Nengua é celebrar o amor à vida, à natureza e à ancestralidade que ela cultivou com tanta devoção. Seu ngunzo permanece entre nós, guiando as novas gerações”, concluiu Marta.
Fonte da notícia: Assessoria da vereadora