Vereador Hamilton Assis cobra investigação para denuncia de execução de jovem negro em São Marcos
Parlamentar cobra investigação e responsabilização após denúncia de execução na morte do adolescente Caíque dos Santos Reis
Foto: Divulgação
03/10/2025 - 16:58
O vereador Hamilton Assis (PSOL) lamenta a letalidade da polícia baiana e cobra investigação para os recentes casos que “assustaram a população de Salvador”. No último domingo (28), o adolescente Caíque dos Santos Reis, de 16 anos, foi baleado e morto no bairro de São Marcos, em Salvador. Na mesma data, no Engenho Velho da Federação, Adriano Marcos de Oliveira Silva, de 23 anos, também foi morto durante operação da polícia militar.
Segundo o Atlas da Violência 2025, em 2023 o Brasil registrou 45.747 homicídios ao todo, sendo que 35.213 vítimas eram pessoas negras, o que representa 76,9% de todas as mortes. A Bahia foi o estado com a segunda maior taxa de morte entre jovens em 2023, segundo o Atlas da Violência 2025, construído em parceria entre o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo o relatório, o estado registrou 3.892 mortes de jovens naquele ano, o equivalente a 113,7 homicídios por cada 100 mil jovens. A taxa nacional de mortes para este grupo é de 45,1 homicídios a cada 100 mil jovens no mesmo período.
Para o vereador, essa violência exposta em números é resultado de uma necropolítica validada e instrumentalizada pelo racismo institucional. “Vivemos em uma sociedade que há menos de um século e meio vive sem a escravização, mas com o racismo e as suas mais perversas faces. A morte de tantas crianças, jovens e adolescentes não é o acaso, é uma política de extermínio. Jovens negros são 79% das vítimas da letalidade policial”, diz o Professor Hamilton.
O parlamentar ainda destaca que algumas estatísticas, como os dados compilados pelo Instituto Fogo Cruzado mostram que entre julho de 2022 até março de 2025 foram registradas 100ª chacinas em Salvador e região metropolitana. “Desse total, 67% das chacinas envolvem policiais, resultando em 261 mortos. Apenas no mês de agosto de 2025, o Fogo Cruzado registrou que 55 pessoas negras foram baleadas, 1 pessoa branca e, do total de atingidos (136), 80 não tiveram recorte racial identificado. São dados que mostram os bairros periféricos e as pessoas negras como alvo central da letalidade policial e não podemos achar que é uma mera coincidência”, afirma.
No último dia 22, um jovem com transtorno do espectro autista também foi baleado e morto no bairro Rio Sena, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. Para o vereador, “Marcus Vinicius, Caíque e Adriano Marcos eram negros, moradores de bairros periféricos, em uma sociedade onde o racismo institucional e as práticas de necropolítica não nos poupam. Não podemos naturalizar que no Brasil uma pessoa negra é morta a cada 12 minutos. Precisamos questionar as políticas de segurança pública que são empregadas”, diz Hamilton.
Especialistas questionam a eficácia do programa do estado
O professor e pesquisador da Faculdade de Direito da UFBA, Samuel Vida, tem ressaltado a importância de dar visibilidade a decisões políticas do governo estadual, como a criação de unidades policiais de alta letalidade; a apuração de mortes por policiais feita pela própria PM; a sabotagem no uso de câmeras corporais, ausentes em chacinas e operações com execuções; a militarização de 121 escolas públicas; a celebração da chacina do Cabula; ataques às audiências de custódia e a organizações de direitos humanos; operações policiais com nomes racistas; a divulgação de cartilha lombrosiana sobre tatuagens e supostos perfis criminosos; além da criação das UPPs/Bases Comunitárias, vistas como instrumento de militarização e terror racial em territórios negros urbanos.
Assim, o vereador aponta que é “urgente debater Segurança Pública numa perspectiva antiracista, pois o atual modelo está tornando a cidade inviável para a grande maioria da população”. Segundo estudos realizados pelo OBMOB Salvador, Iniciativa Negra e Fogo Cruzado, “entre agosto de 2023 e 2024, a capital baiana teve 30 bairros afetados por 85 interrupções de transporte público por questões relacionadas à segurança pública e eventos com arma de fogo, inviabilizando o direito à mobilidade e o direito à cidade”
Frente a isso, o vereador afirma que vai dialogar com o deputado estadual Hilton Coelho, também do PSOL, ações e diálogos para combater esse cenário. Hamilton Assis também anunciou que vai cobrar do Governo do Estado e da Secretaria de Segurança Pública uma investigação rigorosa e independente sobre o caso.
“Não aceitaremos que mais uma vida seja apagada sem consequências. Vamos acompanhar de perto e exigir que a verdade apareça e a polícia mude sua forma de agir nas comunidades negras e pobres. Nossos passos vem de longe, muito antes do Abdias Nascimento denunciar o genocídio do negro no Brasil e a Lélia Gonzalez nos ensinar a reivindicar o lugar de voz, nós negros vamos falar. A nossa luta vem de gerações, vem de uma sobrevivência ancestral e não vamos recuar”, conclui.
Fonte da notícia: Assessoria do vereador